Fazer as perguntas certas em um ambiente tecnológico de alta volatilidade é essencial para avaliar riscos emergentes em qualquer organização. Para formular as perguntas corretas diante de mudanças tecnológicas aceleradas, é fundamental entender de tecnologia e como ela pode impactar cada organização. O nível e a profundidade das perguntas dependerão de como cada empresa adota tecnologia, mas não há dúvida de que todos serão afetados por essas mudanças mais cedo ou mais tarde.
Se falarmos de IA, por exemplo — a revolução tecnológica mais relevante que vivemos no presente —, considerando os três arquétipos da McKinsey, a profundidade das perguntas dependerá de a organização ser uma Taker (usuária de ferramentas de IA generativa prontas), Shaper (customizadora de modelos fundacionais) ou Maker (construtora de seus próprios LLMs — modelos de linguagem de grande porte — do zero).
Os conselhos das empresas devem cumprir seu papel estratégico de identificar e avaliar riscos. Para isso, precisam de formação suficiente para possuir um nível mínimo de conhecimento que lhes permita discutir e compreender os temas apresentados nessa avaliação. Não se trata apenas de contar com especialistas como membros de um Conselho Consultivo, mas de estar preparado para entender o que os assessores ou especialistas estão dizendo.
Assim, ir além dos registros tradicionais de risco e desenvolver um processo dinâmico de inteligência de riscos é fundamental — e começa com a educação contínua dos conselheiros.
Mais do que nunca, o mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) exige múltiplos cenários para antecipar possíveis rupturas; portanto, construir e planejar cenários alternativos ajudará a responder mais rapidamente em caso de situações disruptivas.
Outro ponto importante é realizar benchmarking não apenas com concorrentes, mas também com outros setores. Podemos identificar uma situação disruptiva antes que ela atinja nossa organização e nos preparar com antecedência. Obter insights de diferentes partes interessadas também nos oferece perspectivas diversas sobre os riscos e seus impactos.
Por fim, é essencial ter tantos comitês quanto forem necessários, envolvendo as diferentes tecnologias que podem impactar cada organização. IA e Cibersegurança serão temas sempre relevantes para a maioria das empresas, mas, dependendo da natureza do negócio, pode ser preciso criar outros comitês específicos de tecnologia.
